TIJOLO FEITO COM PONTAS DE CIGARRO NASCE EM GUIMARÃES

São cerca de 350 beatas no interior deste tijolo. Isto quer dizer que, numa parede de quatro por três metros, será possível colocar algo como 300 mil pontas de cigarro.

Há quase quatro anos que o Laboratório da Paisagem, uma unidade de investigação e educação ambiental partilhada pela Câmara Municipal de Guimarães e a Universidade do Minho, e o Centro de Valorização de Resíduos (CVR), da mesma instituição de ensino superior, procuravam a melhor forma de valorizar as pontas de cigarros.

Só em Guimarães, são cerca de 8000 beatas de cigarros por mês.

Para já, existem apenas protótipos dos tijolos, cada um com uma percentagem diferente de pontas de cigarro no seu interior. O CVR está a terminar um estudo para perceber qual a quantidade ideal que pode ser usada sem colocar em causa os requisitos estruturais de cada bloco ,garantindo a robustez necessária à utilização na construção.​ 


A intenção é colocar “o máximo de beatas possível” dentro do tijolo, explica Murial Iten, investigadora do ISQ, grupo de consultoria e investigação em Engenharia, que desenvolveu os protótipos. Este material permite encontrar uma solução para as pontas de cigarros, um resíduo altamente poluente e com escasso potencial de valorização. Mas pode ter outras vantagens.

Os cientistas do CVR e do ISQ estão convencidos de que a introdução das beatas na composição dos tijolos pode permitir fazer poupanças no consumo de energia da sua cozedura. O acetato de celulose, de que são feitos os filtros dos cigarros, criará ele próprio energia, reduzindo a temperatura a que têm que chegar os fornos industriais – 1000 graus celsius.

Esta possibilidade está a ser estudada, à espera de ser comprovada cientificamente. O passo seguinte é “criar uma metodologia” de construção dos tijolos, que possa ser passada à indústria. A estimativa dos investigadores é que estes materiais possam chegar ao mercado dentro de dois anos.

Notícia: Daniel Bento

Publicações Relacionadas

Deixe um comentário