“Sofri muito de racismo nos anos 90, mesmo assim evito falar disso”

Plutonio esteve à conversa com o Notícias ao Minuto sobre o seu terceiro álbum: ‘Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor’.

Nascido e criado no Bairro da Cruz Vermelha e após o lançamento de dois discos – ‘Histórias da Minha Life’ (2013) e ‘Preto & Vermelho’ (2016) -, cujos singles chegaram a platina, Plutonio apresenta-se como um rapper mais maduro e pronto a contar a sua história na primeira pessoa neste ‘Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor’.

O disco, que saiu no dia 22 de novembro, vai ser apresentado ao vivo pela primeira vez a14 de fevereiro, no Coliseu de Lisboa e a 21 de fevereiro, no Hard Club, no Porto.

Este terceiro álbum é composto por 18 temas entre eles os dupla platinados ‘Meu Deus’ e ‘1 de abril’. O MC e produtor que decidiu misturar vários estilos no seu último trabalho esteve à conversa com o Notícias ao Minuto sobre o processo de produção do álbum, a relação com a religião e o caminho interligado entre a sua vida e carreira que percorreu até aqui.

“’Tou muito à frente desses niggas/Me’mo se eu fosse nascer/Daqui a um ano/Eu ‘tava a frente desses niggas/Se o gato é preto, eu sou pantera nigga/Vais pensar que eu tenho sete vidas” – Começas assim o tema ‘Mesmo Sítio’. O que é que pretendes dizer com estas frases?

Durante muito tempo estive a tentar afirmar-me, não só no movimento hip-hop mas na música em geral em Portugal e neste momento sinto que estou numa posição em que as pessoas estão realmente a ouvir a minha música, da forma que eu sempre quis. Ainda assim o que está a sair neste momento são coisas que já tinha feito há um ano, algumas há dois, ou seja, de certa forma estou à frente do tempo. Quando falo comparativamente com os outros rappers é por achar que no geral, não todos, há alguns nomes que já têm muito sucesso, mas não têm assim tanto talento quanto sucesso.

Fala-nos um pouco do teu percurso até aqui.

Foi complicado, foi muito difícil. A maioria das pessoas que eu conheço que passaram pelo mesmo tipo de dificuldades que eu, nesta ou noutras áreas, à partida desistiram. Ultrapassar essa fase foi mesmo muito difícil, até perceber que as pessoas começavam a ouvir Plutonio de uma forma mais séria em que poderia haver um espaço para mim na música e para poder viver da música. Mas depois de ultrapassar foi como combustível para agora estar aqui a trabalhar e a querer atingir mais objetivos, tanto a nível de números de Spotify, de singles, de galardões. Tem sido muito gratificante e prova de que se quisermos e lutarmos por aquilo que queremos conseguimos.

Passaram três anos desde o lançamento do teu último disco. Quando é que começaste a pensar no ‘Sacrifício’?

Comecei a pensar neste álbum antes de lançar o anterior. Lancei ‘Histórias da Minha Life’ em 2013, três anos depois lancei o ‘Preto e Vermelho’ e agora passados outros três anos lanço o ‘Sacrifício’, que termina esta triologia. Já imaginava o nome e o caminho, claro que depois vai alterando ao longo do tempo mas já era uma coisa que eu tinha em mente, já tinha isso tudo pensado. 

Com os outros álbuns aprendi algumas coisas, nomeadamente que muitas das vezes há músicas que por estarem entre muitas não têm o espaço que deviam ou o mesmo que têm os singles. Lançar 18 músicas ao mesmo tempo por vezes é demasiada informação para as pessoas, por isso desta vez fui tentando fazer vídeos para todas essas músicas para conseguir que tivessem todas a mesma atenção de forma independente.

fonte noticias ao minuto

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