“Pandemónio” na Segurança Social de Matosinhos

Há quem tenha de sair da cama de madrugada para conseguir ser atendido na Segurança Social de Matosinhos, que funciona há 28 anos no edifício do Centro Comercial Atlântico, na Avenida de Serpa Pinto.

Os utentes, que esperam horas para serem atendidos, queixam-se da falta de condições do espaço, situado no primeiro andar, com gabinetes de atendimento “sem qualquer privacidade” e material obsoleto. Mas pior estão as pessoas com mobilidade reduzida. É que a plataforma do elevador está avariada, e a única solução é os utentes serem atendidos no átrio do edifício.

Fonte do Instituto da Segurança Social (ISS) confirmou, ao JN, que as instalações de Matosinhos “apresentam alguns constrangimentos” e, por isso, aquele organismo está “a envidar esforços para encontrar um novo espaço”.

“Aquilo é um pandemónio!”, desabafou indignado Abel Soares, 62 anos, que reside em Leça da Palmeira. Chegou à Segurança Social pouco depois das nove horas. Saiu já perto da uma da tarde.

Para evitar uma espera semelhante, Fernanda Ferreira saiu de casa, em Perafita, ainda de noite, a tempo de apanhar a camioneta das 6.30 horas. “Fui a primeira a chegar, às 6.50 horas”, contou.

Carmen Loures, que chegou logo a seguir, confirma que “todos os dias é muita confusão e, por isso, o melhor é chegar cedo”.

A mesma sorte não teve José Soares, de 67 anos. Eram 9.03 horas quando entrou no edifício da Segurança Social, mas mal subiu as escadas deparou-se com mais de 100 pessoas à sua frente. “É desesperante!”, criticou.

Raquel Moreira, 29 anos, chama a atenção para o facto de este ser um serviço “muito frequentado por idosos, que além de terem dificuldade em subir tantas escadas, depois ainda têm de esperar num espaço sem condições”.

Plataforma está avariada

“É uma vergonha: os guichés de atendimento estão uns em cima dos outros sem qualquer privacidade, numa das salas de espera o ar fica irrespirável com tanta gente e, por incrível que pareça, reparei que uma das funcionárias estava a trabalhar numa cadeira partida”, descreveu Abel.

Sandra Russa, com cabeleireiro no rés do chão, confirmou que, por conta das filas e das centenas pessoas que diariamente aguardam na Segurança Social, já houve “desacatos” e “volta e meia” a Polícia é chamada a intervir. “Às vezes, tenho de fechar a porta”, frisou. Sandra considerou ainda que “não faz sentido a plataforma elevatória estar avariada há tanto tempo”. “Mães que venham sozinhas com carrinhos de bebés veem-se aflitas para subir”.

Sobre a plataforma, a fonte do ISS referiu que “foi efetuada uma intervenção em agosto, tendo a mesma ficado a funcionar até 26 de setembro, data em que ocorreu uma avaria”. Foi lançado um concurso para a “instalação de uma nova”, mas até que isso aconteça, “sempre que um cidadão com mobilidade condicionada necessitar de deslocar-se à Segurança Social, “o atendimento é feito no piso zero”, acrescentou.

Centenas de pessoas

De acordo com fonte do Instituto da Segurança Social, o serviço de atendimento de Matosinhos tem “muita procura diária”. Em julho, este espaço realizou 6474 atendimentos, o que correspondeu a uma média diária de 282 pessoas.

Reforço de pessoal

De forma a reduzir o tempo de espera e a aumentar a eficácia na capacidade de resposta, o serviço de atendimento de Matosinhos, na Avenida de Serpa Pinto, “irá ser reforçado com mais dois trabalhadores”. Para evitar as filas de espera, o ISS lembra que existe “o atendimento por marcação prévia”.

Fonte: JN

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