Miguel Correia

Cronista

OBSTÁCULOS NO CAMINHO

 

Há investimentos que engrandecem a reputação de uma região. E se tiverem em conta preocupações ambientais, ainda melhor! Porque é urgente alterar alguns comportamentos para que seja possível viver neste planeta mais uns anitos. Foi com esta filosofia que os STCP (Transportes Colectivos Porto) concretizaram um contrato, cujo valor ronda os 37 milhões de euros, para aquisição de viaturas a gás natural. E assim será possível renovar a frota e reduzir a percentagem de veículos movidos a gasóleo. Tendo em conta a envergadura deste negócio, é mais que legitimo presumir que tudo foi analisado ao pormenor. Seria terrível pensar que alguém – com grandes responsabilidades – nos fez perder dinheiro com imprevistos. Contudo, parece que por Terras Tugas, isso é normal…

 

Estão em circulação 27 novas viaturas movidas a gás. Porém, a inovação tecnológica não chega a todos os utentes. Em causa estão pelo menos cinco linhas, nomeadamente no Porto, Gondomar e Valongo. Os novos autocarros, que começaram a circular este ano, têm uma altura que colide com vários viadutos na rede rodoviária! O problema agrava-se porque a encomenda, feita em 2017, engloba 173 autocarros da mesma tipologia! A empresa, para além de atirar as culpas à anterior administração, justifica o lapso com razões monetárias. Tendo em conta os valores apresentados – e não vá o Ministro da tutela mudar de ideias e cancelar as verbas – será preferível rebaixar o piso dos viadutos ou, caso queiram uma solução mais radical e rápida, mandar abaixo os viadutos! Foi só uma ideia…

 

Para continuar a servir as populações, a empresa, recorreu aos veículos da antiga frota. Continuam garantidos os atrasos e apertões! E agora alguns utentes – mais cismáticos e pessimistas – podem trazer um capacete estilo mineiro, não vá o motorista se esquecer da interdição. Desta forma, evitam dores de cabeça desnecessárias e absentismo nos empregos por causa dos transportes públicos! Enquanto a solução não chega – e os velhinhos autocarros poluidores continuarem a devorar quilómetros e combustível – vou recordar a mítica frase dos meus pais, quando viajava de automóvel: “Filho, olha o túnel! Baixa a cabeça!”. Na altura achava que era apenas um jogo parvo e sem qualquer sentido. Hoje, considero que os meus pais eram visionários e me preparavam para o futuro…