Victor Raquel

Cronista

O Flautista de Hamelin

 

Após uma pequena pausa para celebração da Páscoa eis que nos deparamos com uma situação ainda mais confusa.

Nós por cá, mais do mesmo. Vendem-nos ilusões, mas quando chega a hora do aperto convocam-se reuniões de emergência. Como está a acontecer agora na capital do império.

Qual o motivo? A contagem de tempo integral para os professores. O executivo ficou atrapalhado porque afinal os euros estão contados. Ou melhor, contadinhos.

E quem teve a ousadia de dar semelhante entaladela ao nosso PM? O parlamento! Da direita à esquerda todos aprovaram esta medida. Pimba!

O mago das finanças mete o dedo no nó da gravata que o aperta, o nosso PM ficou com o sorriso meio atrapalhado, e o restante executivo começa a coçar a cabeça. Afinal vai ser nos outros ministérios que se vai buscar a massa para, como diz o povo, pagar as vacas ao dono. Neste caso aos professores.

Bem estaríamos nós se a massa viesse apenas dos outros ministérios. O problema é que também vai sair dos nossos bolsos. Como? Aumento de impostos. Onde? Não sei, mas nesta malfadada Europa as elites dirigentes especializaram-se em rapar o fundo ao tacho.

Querem uma aposta que por ai virão mais uns impostozinhos, taxas, taxinhas e taxetas a incidir sobre tudo e mais alguma coisa? Aliás na velha linha em vigor de ir buscar a massa onde ela está? A imaginação não tem limites.

Se o problema é geral na Europa, neste jardim à beira mar plantado assume contornos hilariantes. Ouvi, com estes a terrinha há-de comer, da parte de pessoas com responsabilidades, que aumentando os salários da função pública se resolve, ou atenua, o problema da segurança social, e outras entidades muito modernas e tal. E disseram isto sem se rir.

Decerto nunca ouviram lady Thatcher. Disse, e bem, que não existe essa coisa chamada de dinheiro público. O que existe é dinheiro das pessoas e das famílias. Ou então fazem-se empréstimos à banca, ou a investidores internacionais, que olham cá para o jardim com alguma desconfiança. Quando existe desconfiança os juros sobrem, ou acabam os empréstimos. Moral da história. Cheira-me que muitas das elites não conseguem governar uma casa quanto mais um país. Depois, para pagar a quem empresta rapa-se novamente os bolsos das pessoas e famílias. O círculo é vicioso.

O nosso PR foi à China. Catita! E para variar os discursos vão para a língua, o património, a cultura, e assim. Também disse algo que a todos surpreendeu. Que a China precisa de Portugal para se internacionalizar. Os chineses num misto de educação, e desdém, calaram-se. Por cá a gargalhada foi geral.

Então a China a segunda economia mundial, cheia de dólares, a nadar em dólares, (até empresta dinheiro à 1 economia mundial, os EUA) precisa de Portugal para se afirmar no mundo? Francamente! Há momentos em que entre não ter nada para dizer e não dizer nada devia prevalecer a segunda opção.

Na Venezuela as coisas voltaram a aquecer. Tumultos, motins, tiroteios, e as pessoas sem medicamentos, e pouco ou nada para comer.

Maduro, e sus muchachos, ancorados no poder militar continuam de pedra e cal. O país entrou em colapso e a culpa é do imperialismo.

O mais engraçado (e isto não tem piada nenhuma) é que em Portugal há quem afirme que a Venezuela é um exemplo, um caminho a seguir. Tal como o flautista de Hamelin tocam a rebate a lengalenga dos amanhãs que cantam.

O problema é que (e a história está ai e não me deixa mentir), em regra, quando os amanhãs começam a cantar a malta quer fugir a sete pés, como os gauleses do bardo. Por outro lado todos sabem o que aconteceu aos ratos que se deixaram seduzir pela música do flautista!

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