
Victor Raquel
Cronista Omj
O Fim do Mundo em Lingerie
Parece que chegamos ao fim do mundo.
Como se não bastasse estar aos comandos dos States o capeta em figura de gente, eis que a sul, no Brasil, ganha as eleições o diabrete. Pois é! O Sr. Bolsonaro saiu vitorioso, facto esse que provocou grande azia no mainstream indígena. Nem quero quantificar as caixas de sais de frutos que se vão vender nas próximas horas, e os fartos chiliques da intelegentsia bem pensante que costuma dominar o panorama noticioso cá do burgo.
É óbvio que os brasileiros passaram de povo irmão a uma cambada de fascistas sem remédio, capazes de lançar o país no pior dos tumultos. (Ai sim? Pensava que já estava)
A democracia está em perigo, gritam estridentes os opinion makers. O fascismo regressou. O homem é um crápula ignorante. Ou, como agora se diz, um populista, que gosta de armas, racista, xenófobo, misógino, e essas coisas todas, e mais algumas.
Obviamente que dizem tudo isto sem se rir. Pelo contrário, o ar com que engendram estas afirmações é o mais austero que conseguem.
Estou muito confuso porque, a propósito de totalitarismos, não descortinei iguais adjectivos quando das eleições venezuelanas (onde a democracia foi muito respeitada), nem pasmo pela erudição do operário Lula, ou da Dilma presidenta, como se sabe poços de sapiência. No caso do operário deram-lhe um doutoramento honoris causa em Coimbra, e tudo. Só isso chega para dar respeitabilidade à coisa.
Mas mais grave que os opinion makers foi a posição de alguns políticos com responsabilidades. Alinharam pelo diapasão da demonização do agora vencedor e estão agora com a batata quente nas mãos. É tradição Portugal ser o primeiro país a ser visitado quando da eleição de um Presidente no Brasil. Sempre foi assim, ou melhor, até à presidenta dar um pinote e mandar às malvas 200 anos de diplomacia (Que culta que ela é). Se o agora eleito PR do Brasil decidir cumprir a tradição que vão fazer tão ilustres personalidades? Vão para a rua de pífaro em riste e tambor a ribombar? Despem a roupa? Arrancam os cabelos? Já não temos que ser discretos, e ponderados, como na Venezuela?
Sim senhor! Estamos bem entregues.
Depois, fico admirado, profundamente admirado, com tanta indignação num país com tradição de eleger ilustres representantes. É sabido que em Portugal o povo só elege la creme de la creme. De primeiros-ministros a autarcas (mais do que uma vez), cujo destino só não é o do operário porque, de facto, não somos o Brasil.
Mas nós, os portugueses, é que somos cultos, e respeitadores, e tolerantes, e isso. Desde que os eleitos por vontade popular não sejam o Trump, o Orbán, o Salvini, e agora o Bolsonaro. Se forem está o caldo entornado.
Uma coisa é certa. Para que a humanidade avance em direcção ao pão e mel a democracia tem que eleger o Chavez, o Fidel, o Maduro, o Morales, a Merkl (desde que mande guita. Se não manda é uma Nazi, como no tempo da Troika), o Macron, ou o Trudeau. Com estes eleitos a humanidade avança. Sem eles o mundo está perdido.
Mas então onde pára a democracia?
Não sei. Talvez num conjunto de propostas avançadas, que respeitem as minorias (com excepção do indivíduo), os animais, o clima, e o social, com rodos de dinheiro atirado para cima dos problemas até que esgote. Quando esgotar, logo se vê. Alguém vai pagar.
Uma coisa é certa. Se ganha quem queremos é democracia. Se ganha quem não gostamos é o fim dela. Respeito pelas regras? Só se ganharmos. Se forem os outros, não. Sai tudo para a rua a partir tudo. Dá-se o benefício da dúvida a todo e qualquer bicho careta, desde que não entre na categoria dos Untermenschen, não elegíveis, porque dizem baboseiras diferentes daquelas que estamos habituados a ouvir… e a gostar.
Sim, porque sandices todos dizem. A diferença está no cheiro. Uns falam com passarinhos no metro. Outros falam para trolls nas redes sociais.
Estas são as verdadeiras culpadas da verdadeira democracia estar em perigo.
Isto de acordo com a cartilha em vigor.
Igualmente de acordo com a cartilha em vigor está a excelente fase económica que atravessamos. Esta deve-se à boa gestão dos nossos líderes. Só não percebo o porquê de a dívida ser a terceira maior de toda a UE. A gestão é tão boa que os impostos vão baixar. Sim vão! A baixa de impostos reflecte-se em…. pasmem-se… a baixa do IVA para certos eventos culturais (mas só alguns), e novos impostos disfarçados de taxas, taxinhas, e taxetas, como a da protecção civil.
Na passada colocam-se entraves à galinha dos ovos de ouro. O turismo, claro. Como se não bastasse taxa-se o próprio turismo. E porquê? Porque os invasores (perdão turistas) fazem muito lixo.
Que giro!
E ninguém se indigna!
Pois não!
Só com o Bolsonaro que é fascista e vive longe… no Brasil!
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