Militantes do PSD/Porto acusam órgãos do partido de agirem como “comissões liquidatárias”

Em carta aberta, três militantes de base lamentam que o PSD se tenha transformado num partido de “sobreviventes”, fechado, sem ambição nem ideias, que só perspetiva novas derrotas eleitorais. Criticam a captura de refratários do partido pelo movimento de Rui Moreira, que levou ao quase desaparecimento do PSD no Porto, Gaia ou Matosinhos

Um grupo de militantes sociais-democratas do distrito do Porto disse, esta terça-feira, que o PSD se transformou num partido de “sobreviventes” que só perspetiva “sucessivas derrotas eleitorais”, e acusou os sucessivos órgãos nacionais e distritais de agirem como “comissões liquidatárias”. Numa carta aberta, três militantes de base, entre eles José Manuel Borregana Meireles, militante desde 1976 e primeiro subscritor da missiva, salienta estar preocupado pelo estado a que o partido chegou e que não reflete o PSD que “tirou três vezes Portugal da bancarrota”.

“O PSD transforma-se num partido de sobreviventes, que fazem de cada eleição interna a luta das suas vidas”, acrescentam na carta aberta dirigida aos militantes do partido.

“Hoje temos um partido que só perspetiva sucessivas derrotas eleitorais. Um partido a encolher, sem ambição, sem valor, sem credibilidade, incapaz de se dinamizar, de mobilizar a sociedade civil. Um partido sem esperança, sem projeto e sem ideias”, defendem.

Os militantes criticam ainda o “azedume” que os atuais responsáveis pela situação do PSD criaram no seio da família social-democrata, com a dinamização para o aparecimento de “movimentos fragmentadores da unidade interna”, que “juntamente com refratários, alguns ainda nas fileira do ‘Porto, o Nosso Movimento’, capturaram em definitivo o PSD, conduzindo à maior humilhação eleitoral de sempre na cidade do Porto”.

Os sociais-democratas dizem não esquecer os “responsáveis que conduziram, entre 2013 e 2017, os destinos do órgão distrital e concelhio do PSD do Porto” e que levaram o partido até “às inacreditáveis derrotas alcançadas”, lamentando que se preparam de novo, “sem vergonha”, para conduzir o partido até às eleições autárquicas do próximo ano.

Não esquecem ainda a presença do partido nas câmaras de Gaia, onde está reduzido a dois mandatos, de Matosinhos, onde passou de maior partido da oposição “a uma fraquíssima representação eleitoral”, e de Paços de Ferreira, Baião ou do Marco de Canaveses, onde a sua implantação “desapareceu”.

“Está na hora de se ter de tomar uma atitude”, defendem, criticando a falta de capacidade de oposição e a “perseguição àqueles que ainda têm coragem de manifestar a sua discordância com a direção nacional”. Na carta aberta, os militantes criticam ainda os “silêncios dos atuais responsáveis pelo PSD” em temas como o roubo de material em Tancos, a TAP, o Novo Banco e a EFACEC, entre outros, defendendo um PSD onde todos possam “criticar/discutir abertamente” o que vai bem ou mal no partido.

Fonte: Expresso

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