O ESTADO DA NAÇÃO

O ESTADO DA NAÇÃO

 

Os habitantes de Terras Tugas são conhecidos pela hospitalidade e capacidade de mobilização para ajudar alguém em apuros. As pessoas emocionam-se e, de coração aberto, abrem os cordões à bolsa para contribuir conforme podem. Acreditam cegamente nas intenções e oferecem sem fazer perguntas. Tanta ingenuidade tem vindo a captar as atenções dos que recorrem a esquemas para extorquir dinheiro. Os «vigaristas plenus» conseguem inventar desculpas para que os «parolos maximus» dispensem o dinheirinho que tanto custou a ganhar! A fraca (ou nenhuma) resposta das autoridades ajuda a que mais vigaristas apareçam. Porque resulta e vergonha parece ser apenas um adjectivo!

 

Como tal, confesso que foi sem qualquer espanto que recebi a notícia (publicada na revista Visão) que mais de meio milhão de euros foi desviado do fundo de ajuda às vítimas de Pedrogão Grande. Há enorme indignação porque foram reconstruídas casas devolutas (que não foram afectadas pelo incêndio) e até – pasmem-se – ruínas! Recorrendo a esquemas manhosos (com ajuda de gralhas nos requisitos da instituição responsável), sete casinhas ficaram impecáveis… e de graça! Enquanto as verdadeiras vítimas assistiram impotentes a tudo isto. Graças a uma investigação jornalística – melhor informada que as próprias autoridades – muita gente ficou nervosa e em sobressalto. Contudo, este sentimento de culpa vai desvanecer nos próximos dias. O estado da nação não permite que alguém, capaz dum esquema destes, seja condenado ou preso. Aliás, a cadeia serve apenas para os criminosos mais rascas da sociedade. Cometeram crimes sem imaginação ou valor significativo e foram castigados por isso. Fosse o crime grandioso e a conversa seria outra! Basta ver os nomes importantes que (ainda) estão em lista de espera…

 

Há muitas outras situações em que o “chico-espertismo” se sobrepõe às leis. Inclusive, o exemplo vem dos próprios deputados e respectivas maroscas com a morada de residência para conseguir mais uns trocos com ajudas de custo. Compreende-se, o salário deles é baixo! Sabemos que há pessoas a morar em casas camarárias (com um aluguer simbólico) quando o parque automóvel está repleto de viaturas de gama média-alta. Podia continuar com mais situações, mas penso que já perceberam que tudo se resume a uma frase: anda meio mundo a enganar a outra metade. Ou pelo evoluir dos tempos, em breve, não haverá ninguém para enganar…

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