Victor Raquel

Cronista

Menu à La Carte: Obscenidades e Indignações

 

Anda p’ra ai um virote num partido político que deixa este cantinho à beira mar plantado de boca aberta.

É evidente que nem se dá pela existência desse partido, mas bater o às de trunfo nesta altura do campeonato cheira a uma catilinária. Pode ser que a coisa abane.

Lá fora, no estrangeiro, a barraca abana mesmo. Os bifes andam bastante exaltados com aquela coisa chamada Brexit (olha!… sei falar estrangeiro). E que zanga que está a provocar.

Recapitulando: Os bretões foram a referendo. Votaram na saída da UE. Quem tem a responsabilidade de proceder em conformidade anda p’ra ali a fazer que faz. Claro que a oposição (sob a batuta do nebuloso Corbyn) exige novo referendo (como se costuma fazer por cá quando o resultado não é o que queremos). Pimba! Moções de censura, e de confiança, a granel, na esperança de tudo mudar para que tudo fique na mesma.

Por outro lado a UE encabeçada pela Sra. Merkl, e pelo Sr. Macron, aproveitam para torpedear a coisa. Gostei particularmente de ouvir o PR francês. Mais uma vez, e como de costume, espalhou-se ao comprido. Talvez por isso tem o seu país a ferro e fogo há já algum tempo. Está a custar a atinar.

Por outro lado dizem as más-línguas que o Sr. Putin se está a rir a bom rir. Francamente não estou a ver o nexo de causalidade entre a decisão dos ingleses e o Sr. Putin (é um pouco como as eleições do Sr. Trump. Também foi o Sr. Putin que o elegeu). Mas que se está a rir, lá isso está. Mas por outras razões.

Senão vejamos. À Rússia interessa uma Europa fraca. Economicamente fraca, politicamente fraca e militarmente fraca. Mas isso já acontece, carago. A Europa, com UE ou sem ela, pouco vale. O que ainda joga a seu favor é a relativa pujança como mercado. Os europeus são 500 milhões com alguma capacidade económica. É um grande mercado. Mas até quando? Digo isto porque há décadas que o crescimento económico da Europa é pouco mais do que zero.

A taxa de natalidade é nula, ou próximo disso. A economia não cresce significativamente há anos. Ninguém se entende e legislam abundantemente sobre galinhas poedeiras e aviários.

Portanto, efectivamente, o Sr. Putin anda a rir-se há muito. Não é de agora.

Como se isto não bastasse, esta UE é gerida por um conjunto eminências pardas, não eleitos, que tudo regulam e tudo decidem. Os aviários são só um exemplo.

Efectivamente esta estrutura, a tender para o jurássico, cada vez mais se afasta dos cidadãos. Os diversos governos estão obrigados a cumprir um menu azedo. Do ponto de vista político não há consenso. Não há diplomacia (nem pode haver. Que interesses aproximam ingleses e alemães? Nada. Rien. Nenhuns. Bem… o perigo de uma Rússia totalitária e agressiva podia ser um ponto de partida. Mas pronto… há quem goste). Do ponto de vista militar a Europa, coitadinha, é uma anedota. Não passam do Mediterrâneo. E mesmo para intervir nessa área precisam dos americanos. Enfim… está aqui presente o cardápio que está a acabar com uma excelente ideia, que contribuiu para décadas de paz e prosperidade na Europa. A CEE.

E o mais engraçado é que os cidadãos não querem novamente fronteiras e passaportes.

Assim sendo, permito-me concluir que os decisores, ou sofrem de dissonância cognitiva, ou não querem saber da vontade dos cidadãos e cumprem agenda própria. Diferente daquela que todos esperam e desejam. Parece que estão reunidos os condimentos para um grande estoiro. Resta saber quando.

Retornando ao nosso querido jardim. O governo fez bem em não enviar representação à tomada de posse do tiranete latino-americano. Estou a falar de Maduro que à revelia de tudo, e de todos, se auto-proclama PR da Venezuela. Alguns partidos da chamada geringonça enviam missivas de apoio a Maduro e sus muchachos, saudando o triunfo da revolução, e da igualdade, e da liberdade, e contra o capitalismo, e assim. De facto os venezuelanos estão todos mais iguais. Estão todos na miséria. Fizeram mal. Apenas demonstram que no fundo do seu coração bate que bate uma tendência totalitária.

No Brasil a polémica adensa-se. A ministra não sei do quê disse que o amor entre duas mulheres é obsceno.

Bem… aqui entre nós que ninguém nos houve. Não sei se é obsceno, ou não. Mas há quem diga que é um desperdício!

Prontos! Já estou tramado! A brigada do politicamente correcto vai linchar-me e exigir a minha cabeça numa bandeja com o rótulo de machista, fascista, misógino (o que eu gosto desta palavra), troglodita, e homem das cavernas.

Ok! Fica assim e depois resolve-se!

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