Victor Raquel

cronista

Me Liga, Vai!

 

Cucu! Olá! Olá!

Cá estamos nós em 2019, o novo ano, que já cheira a mais do mesmo.

O final do ano passado foi repleto de coisas giras. Algumas curiosas, outras nem tanto.

No rol das curiosidades confirma-se o mal-estar da inteligentsia bem-pensante, e dos líderes políticos europeus, com todos aqueles que são eleitos democraticamente. Nestes incluo a rapaziada cá do burgo, obviamente.

É que demonstram reiteradamente, e por A+B, que não gostam muito das escolhas feitas pelos outros povos, segundo as regras do jogo da democracia.

Estou a falar dos reiterados ataques ao PR norte-americano, o inconfundível Sr. Trump, e ao recém-empossado PR do Brasil, o Sr. Bolsonaro. São o tinhoso em figura de gente, pelo menos é o que sugerem mais ou menos abertamente.

Já com tiranos, e tiranetes encartados, constatei a maior das mesuras e deferências que roçam a bajulação.

Querem um exemplo?

Reveja-se o que foi dito pelos nossos queridos líderes em relação ao PR do Brasil, eleito democraticamente, e o que foi dito ao PR da China (na recente visita à Lusitânia) que não foi eleito de todo. Deu dó. Dó, e conseguiu pôr-me a franzir o sobrolho.

Passarei à frente a grande vénia, (e juro que vi) o nariz quase a bater no chão durante as várias sessões de cumprimentos. Refiro-me, apenas e só, ao discurso oficial à nação onde foram ditas uma série de vacuidades, e falou-se, abundantemente, de direitos humanos. Ena, Ena… direitos humanos na China. Se o assunto não fosse sério dava para rir. Já não digo para perguntarem aos tibetanos. Mas questionem os chineses em geral. Para não ser batota fujam daqueles que estiveram em Tianamen e seus familiares. Recordam-se? Foi um acontecimento que não deixou margem para dúvidas relativamente à democracia, e aos direitos humanos, na China. Também não houve dúvidas que foram utilizadas munições reais, num exemplo de grande tolerância, onde o eixo voltou a recentrar-se na roda. A do partido único.

O exemplo chinês talvez não seja o melhor, uma vez que vieram a terras lusas com os bolsos cheios. Afinal mandam em quase tudo. Mas refiro outras figuras maravilhosas da América Latina que continuam a dar loas à democracia, e à tolerância, e cujo silêncio do mainstream em geral, e dos nossos líderes em particular, perante tal exemplo de civilidade, é ensurdecedor. Nestes casos latino-americanos também se usa, em geral, munição real.

São muito democratas, de facto.

Outra das curiosidades do final do ano passado, início deste, são os populismos. O mundo está cheio de populistas. Da Hungria aos Sates. Do Brasil à Polónia. Estes são populistas. Os restantes não. Nem Mácron, nem a Sra. Merkl, nem o Sr. Pedro Sanchez, nem o Sr. Trudeau, nem o grego com um nome difícil de escrever (acho que é Tsipras). Nem o nosso PR. Nem o nosso PM.

A prova provada do que estou a dizer é que não houve concessão do PR francês em mais de 100 euros aos ditos coletes amarelos (de repente aparece dinheiro a rodos), nem houve populismo do nosso PR que recentemente ligou para um programa de entretimento para dar os parabéns à apresentadora.

Bolas! Prometo que este ano não serei má-língua!

Isto não é populismo.

É política de proximidade e dos afectos.

Os afectos são tantos que o recém-nomeado mago das finanças brindou os coletes amarelos tugas, e não só, (neste caso a coisa é como o sol. Quando nasce é para todos) com mais uma série de taxas, taxinhas, e taxetas, para verem o que é bom para a tosse.

Tudo em nome da nossa saúde!

Ah! Já me esquecia! A propósito do telefonema presidencial! Há mais uma série de pivots que declararam o interesse num telefonemazinho de aconchego.

Me liga! Vai!!!!

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