
Miguel Correia
Cronista
MATOSINHOS, UMA SELFIE
A grande maioria das crónicas que escrevo tem a comédia e a sátira como principal ingrediente atractivo. Se umas provocam um efeito imediato – como a aspirina – outras, obrigam a fazer algumas contas de cabeça. No entanto, há alturas em que a minha visão das coisas me impele a ser objectivo e, no meio de tanta trapalhada, perco a vontade de rir! Quero deixar bem claro que estes caracteres, martelados incessantemente num pobre teclado, resultam da minha visão da realidade que nos rodeia…
Matosinhos tem sido divulgada energeticamente nos diversos espaços turísticos internacionais. E com sucesso, devo admitir! Nada me move contra a vinda dos branquelas de soquete até ao joelho e câmara de fotografar à tiracolo, desde que, não infernize a vida quotidiana dos locais. Vários aspectos citadinos devem ser melhorados antes da chegada dos visitantes endinheirados. O mais importante – e curiosamente o mais ignorado – é a questão do civismo. Se não cuidarmos da nossa casa, não poderemos receber condignamente as visitas! Quase todas as paredes, muros e portões de garagem ostentam grafitis pirosos. Verdadeiros actos de vandalismo. Ninguém limpa. Ninguém quer saber! Alguém há-de fazer alguma coisa… À falta de civismo, juntem o puro desleixo.
A Rua Brito Capelo é o maior paradigma da cidade. Embrião de teorias radicais, absurdas e inúteis que tentam, a todo o custo, dar vida a uma zona comercial que conheceu glória no passado. Actualmente é um paciente em estado vegetativo. Várias iniciativas estão associadas à sua cronologia e, numa viagem ao passado, podemos recordar a realização do Flea Market, a colocação das floreiras, as imagens premiadas do National Geographic, as decorações Natalícias e, mais recentemente, a passadeira vermelha para os transeuntes. O leitor – se ainda estiver a ler – pode perguntar que raio se passa na rua. Haverá assunto para os “Ficheiros Secretos” ou os “Caça-fantasmas”? Não. Bastava uma directriz firme e obrigatória de quem de direito para que as autoridades competentes fizessem cumprir a lei e restringir o acesso às viaturas automóveis. Elas, na figura dos iluminados que as conduzem, são as responsáveis pela vaga de destruição de tudo que se coloca naquela rua. É sabido que o Tuga não gosta de exercício físico e só não leva o carro para dentro de casa, porque não pode! E o Zé da Camioneta tem de se despachar nas descargas! À falta de civismo e puro desleixo, juntem o comodismo e a anarquia. E pronto, está tirada a selfie (mais que actual) da cidade de Matosinhos.
Pequenos (grandes) problemas com solução fácil. Isto, claro, se houver interesse em que sejam resolvidos. Como cidadão, sou parte interessada na matéria e confesso que não gosto de estar conotado com a imagem de “rufia”. Isso tinha piada quando andava na escola. Agora, não tem.
