Victor Raquel

Cronista e Apresentador Omtv

Fake News

 

O Sr. PR pronunciou-se sobre a demissão de um secretário de estado primo de não sei quem. Disse que fez bem em demitir-se e que ele nunca nomeou, ou nomeará, familiares para funções governativas.

Não sei, mas dá-me ideia que deu uma chapada na testa do actual executivo. Mas o problema é que, dizem as más-línguas, o actual governo está virtualmente em família, tal é a quantidade de vínculos familiares. E se assim é como ficamos?

O PR ao dizer que este elemento fez bem em demitir-se está a insinuar que todos os outros estão mal? Se sim que comentário e acção merece? Se não, então para quê dizer em público que fez bem em demitir-se? Pois! A ver vamos. Mais um Nó Górdio. Vamos ver quem o desata.

A não ser que tudo seja uma conspiração, ou aquilo a que pomposamente chamam de fake news.

A propósito de fake news.

Cheira-me que existe em Portugal, e na Europa, uma ofensiva total contra o último bastião de liberdade que nos resta. E esse bastião é a internet.

Argumentam os censores que a quantidade de notícias falsas é enorme e que as pessoas não estão preparadas para as distinguir. Se isto não fosse grave dava para rir.

Mas quem é o legislador, deputado, governo, comissão, ou seja lá quem for, para aferir se eu consigo distinguir, ou não, o que é uma notícia falsa? Ou verdadeira? Ou assim-assim?

Mais uma vez, em Portugal e na Europa, o Estado trata os cidadãos como bebés, incapazes de tomarem decisões, fazerem escolhas, pensarem por cabeça própria. Como todos somos bebés, logo inimputáveis (a não ser para pagarmos impostos – neste caso somos todos responsáveis), não podemos ir à internet e ler o que bem entendemos, e o que nos der na real gana. Logo, estão a pensar em formas de limitar as chamadas notícias falsas. Concretamente, estão a pensar na forma de limitar a circulação de informação.

Hitler e Estaline descreveram este mecanismo muito bem.

Porque na realidade o que está em causa é a limitação da informação e nada mais. Ponto final.

Caso contrário, os órgãos de comunicação social tradicionais (jornais, rádios e TVs) tinham de ser todos fechados tal é a quantidade de informação duvidosa que dão ao leitor/espectador (e sim escrevo espectador e não espetador. Caso contrário o leitor não sabia se assiste ou espeta).

Querem exemplos?

O que me ri com o convite feito ao suposto perito da ONU em economia que mais não era do que um burlão encartado. Teve honras de programa de referência, em horário nobre, como convidado de excepcional qualidade. Quando se descobriu o embuste ficaram de monco caído. Ninguém se demitiu e o programa não foi encerrado.

Podia igualmente dar o caso dos sucessivos atentados que, de tempos a tempos, ocorrem mundo fora. Em regra são camiões, carros, facas, armas, ou atrasados mentais, que os praticam. Na realidade têm muita dificuldade em apontar o/os responsáveis e suas motivações. Na prática tenta-se dar a notícia mais de acordo com determinado sistema de valores. Objectivamente não são isto fake news? Não! Que horror! Fake news são notícias falsas. Que revelam algo diferente do que se passou. São mentiras!

Ah! Ok! Já percebi. É mais ou menos como os sucessivos anúncios de défices porreiros. Passado uns meses… Pimba… quase bancarrota e intervenção externa. Como a baixa de impostos. Pimba… sobem os combustíveis e os impostos indirectos. Um pouco como a austeridade que matava idosos que viviam sozinhos em casa e levava crianças com fome para as escolas. Até desmaiavam. De repente já não há crianças com fome, nem velhinhos sozinhos em casa. Também não sei se é uma fake new afirmarem que um juiz defendia o apedrejamento de mulheres adúlteras. Se calhar não. Provavelmente é. Fica assim, depois resolve-se.

Podia dar exemplos sem fim de informação, contra-informação, e até de desinformação. Por isso fico estupefacto com esta tentativa de limitar o que podemos ler, cujo objectivo real é, estou cada vez mais convencido disso, dizer-nos o que devemos ler.

Quanto aos meus amigos não sei. Mas o vosso humilde escriba gosta pouco de levar com a varinha nas orelhas, como se faz ao gado.

Porque se esta ideia vingar será mais uma machadada na liberdade do Ocidente que tanto custou a construir durante o século XX. Não se esqueçam que na maior parte do mundo em que vivemos o conceito de liberdade é, no mínimo, misterioso.

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Entre Linhas - O Novo Programa da OMtv com Victor Raquel

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Programa Entre Linhas - Episodio 1