Victor Raquel

Cronista e Apresentador da OMtv

É o Clima, Menina. É o Clima!

 

Anda p’ra ai um virote com os combustíveis que até já mete requisição civil, militares e polícias a conduzirem camiões, e tudo.

Estou flabbergastted!

Com a requisição civil?

Não. Com todo o processo.

Senão vejamos.

É a primeira greve que se faz em Portugal (e talvez no mundo inteiro) em que se anuncia a greve por aumentos salariais (Até aqui compreendo. As greves fazem-se por essas coisas), mas também para pagar mais impostos! É aqui é que a coisa inquina.

Então os motoristas fazem greve para pagar mais impostos? Acusam os patrões de fugir à SS e AT porque pagam baixos salários mas grandes ajudas de custo, e horas extraordinárias, que não são tributáveis?

Fiquei boquiaberto… e gelado.

Os motoristas serão eventualmente masoquistas? Hummm…

Do outro lado da barricada temos o governo que não vai de modas. Do alto da sua superioridade em matéria de direitos dos trabalhadores deita mão dos expedientes legais mais poderosos que existem ao dispor de um Estado de Direito para limitar a greve e os seus efeitos. Convoca as forças de segurança e as forças armadas para substituírem os motoristas, e recorre à requisição civil para mitigar os efeitos da greve.

Mais uma vez a minha boca abre-se até aos joelhos de tanto pasmo.

Então a coligação que sustenta este executivo já não entende o direito à greve como um direito inalienável?

A ex-actriz Catarina não diz nada? Em regra quando existe um conflito destes a Ti Catarina atira-se ao governo e ao patronato com veemência tal que até mete medo. Por outro lado, o Ti Jerónimo, metalúrgico de profissão, também anda pífio e tem-se remetido ao silêncio.

O célebre slogan – tá na hora, tá na hora, do governo se ir embora – tantas vezes ouvido pelas ruas de Lisboa e do Porto com Ana Avoila à cabeça e o Mário na retaguarda (sim… Mário o professor agora com barba. Antes tinha bigode) já não faz sentido?

Querem ver que na Festa do Avante se vai dizer bem do governo? (Isto já não é o que era!)

Do outro lado do espectro político a coisa também anda mansinha.

Em vez de se atirarem com unhas e dentes à geringonceira coligação, nada fazem, nada dizem, nada propõem. É o silêncio total. Nada! Nadinha!

Hummm… aqui há gato!

Já sei! É por causa do clima!

Claro! Então ninguém vê que anda tudo caladinho por causa do clima?

É que para além da emergência energética estamos igualmente em emergência climática, carago!!!!

As nossas elites dirigentes viram nesta greve uma oportunidade de ouro (sugestão do nosso querido secretário-geral da ONU António Guterres) para acabar com o CO2 na atmosfera. Sem gasoil não há carroça. Na passada, e se a greve demorar, também vão acabar nos supermercados a carne, o peixe, os vegetais, a fruta, ou seja tudo aquilo que contribui para o aquecimento global e para a destruição dos recursos do planeta. (Vejam lá o CO2 que se emite ao mandar vir fruta do Equador, e as toneladas de metano que as vaquinhas emitem pela flatulência, já para não falar dos produtos químicos utilizados na agricultura e que contribuem muito para o aquecimento global. Não sei como mas contribuem). Depois deixa de haver aviões, navios, ambulâncias, helicópteros, e essas modernices que estão a destruir o planeta, e passa tudo a andar à moda antiga.

A solução está à vista de todos. Afinal a roda está inventada há milhares de anos.

Bicicletas como na China Maoista, carroças como nos tempos da era pré-industrial (quero ver o PAN a indignar-se com as bostas dos cavalos e a figurinha da malta quando as pisar). Para transporte de mercadorias vamos recorrer novamente aos almocreves (com os seus machos e burros agora em extinção), e acima de tudo às famosas juntas de bois que tanto furor fizeram em tempos idos. Mais uma dica ao PAN. A bosta de boi é fantástica. Deixem lá as multas e indignações. Podemos fertilizar os campos com produtos naturais. Arranjem lá quem vá recolher e limpar as bostadas e o resto resolve-se. Quanto aos animais? Lamento mas os arreios foram inventados por alguma razão. Ah! E depois temos ainda a questão do horário laboral da bicharada. Oito horas por dia não dá para nada. Vejam lá o tempo que demora chegar de boi ao Algarve! Se vamos limitar a coisa a oito horas diárias a remessa de sardinha chega lá rançosa, mesmo com a salga. Às laranjas de lá para cá dá-lhes a mosca e apodrecem. Sei lá! Sim! Se a sardinha sair agora de Matosinhos chega lá para Dezembro ao Algarve, e vice-versa.

Quanto ao resto vamos retornar aos barcos à vela que não emitem CO2, (grande oportunidade para Portugal, afinal com a vela chegamos à Índia e para a miúda sueca, a Gretta não sei quê, que já pode ir à conferência sobre o clima na América sem emitir uma grama de CO2), substituem-se os aviões por planadores (como se colocam lá em cima é outra questão) e para o dia a dia… tudo a pé para todo o lado. Faz bem à saúde e apenas gasta óleo de joelhos.

A poupança económica será enorme, o CO2 limitado, os recursos do planeta poupados e a mortalidade aumentará. A malta morrerá por falta de socorro e de fome. Primeiro porque não há nada para comer, e depois porque o pouco que há não chega às lojas para se comprar.

O aquecimento global está de facto a fazer sentir os seus efeitos de forma indesmentível. Nos neurónios das elites dirigentes e também na temperatura política cá do burgo.

Cheira-me que anda tudo caladinho, não pelo devaneio acima escrito, mas porque bem prega Frei Tomás. Faz o que ele diz, não faças o que ele faz. É que isto de ficar sem carro, sem comida e sem conforto, é lindo de sugerir para os outros. Quando nos toca a nós (políticos incluídos) é o cabo dos trabalhos!

Depois, em pleno Agosto, ainda não passamos dos 24 graus e não se conseguiu fazer um dia de praia em termos. Pelo menos cá no Norte tem estado um calor do aquecimento global dos diabos. Até choveu!

Vão em paz e que o senhor vos acompanhe!

Saudinha!