Covid-19: Hospital de Matosinhos desaconselha fazer peelings agora

O Pedro Hispano lançou guião sobre os efeitos na pele das mãos e da cara das lavagens frequentes e do uso abusivo de luvas, máscaras e antissépticos.

O Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, lançou um pequeno guião, a que a SÁBADO teve acesso, intitulado “Cuidados com a pele em contexto de pandemia de SARS-COV-2”. Segundo os três médicos que assinam o texto, “a fricção repetitiva resultante da lavagem [das mãos] e a ação irritativa dos antissépticos, potenciada pelo efeito oclusivo [fechado] do uso de luvas, condicionarão danos importantes a nível da pele”, lê-se.

Os autores dizem ainda que “é importante ter noção que este efeito irritativo pode ser agravado por outros agentes fora do ambiente laboral como por exemplo luvas e detergentes domésticos, e manuseamento de frutas e alimentos suculentos (citrinos, tomate, cebola e alho, entre outros).”

Deixando claro que não se pode “nunca comprometer as recomendações de segurança em vigor”, o serviço de dermatologia elenca os problemas que podem surgir: “Na maior parte dos indivíduos desenvolver-se-ão dermatites de contacto irritativas (…) com aparecimento de: pele seca e gretada, e hipersensível; áreas de eritema com descamação; prurido, em grau variável.”

Como evitar estes problemas?

1. “Lavar as mãos e fazer uso das soluções antissépticas com racionalidade.”
2. “Secar bem as mãos após cada lavagem evitando fricção adicional excessiva.”
3. “Evitar o uso de adornos (anéis, pulseiras…) que possam potenciar localmente o efeito irritativo dos agentes especificados.”
4. “Aplicar muito frequentemente creme hidratante nas mãos. Sempre que possível, imediatamente após a lavagem ou desinfeção.
5. “Usar luvas sempre que seja previsível o contacto com substâncias abrasivas ou fortemente irritativas. É importante ter noção que o uso de luvas não confere uma protecção total e pode ser um factor irritativo por si, pelo que esta recomendação deverá ser ponderada dependendo do contexto.”
6. “Evitar uso de luvas com pó.”

As máscaras também podem ser um problema para a cara, “que é por natureza mais sensível do que a pele de outras localizações. Os efeitos traumático, irritativo e oclusivo destes dispositivos poderão facilitar a exacerbação de doenças pré-existentes muito comuns (ou desencadear crises de formas latentes de doença), tais como rosácea, dermatite seborreica ou acne.” Como minorar o problema. O serviço aconselha o uso de cremes faciais sem aditivos irritativos.

Mais ainda, evitar tudo o que seja acessório: “Deverá evitar-se a aplicação regular ou abusiva de produtos cosméticos de higiene ou de acção estética/anti-envelhecimento potencialmente irritativos (como tónicos de limpeza, maquilhagem, retinoides, hidroxiácidos, anti-oxidantes…), bem como a realização de peelings ou “limpezas de pele”.

Esta terça-feira, a Direção Geral da Saúde revelou que Portugal tem 30 mortes associadas ao novo coronavírus, mais sete do que na segunda-feira. O boletim regista 2.362 pessoas infetadas pelo novo coronavírus (mais 302), a grande maioria (2.159) está a recuperar em casa e 203 estão internadas (mais dois), 48 das quais em Unidades de Cuidados Intensivos (mais uma).

De acordo com o relatório da situação epidemiológica em Portugal, existem 11.842 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, número idêntico ao apresentado na segunda-feira (menos 720, face a domingo).

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23h59 de 2 de abril.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 360 mil pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 17.000 morreram.

Fontes: sabado

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