Biopsias vão acabar? Novo aparelho poderá permitir detetar células cancerosas de forma mais fácil e eficaz

É a esperança que nasce de uma experiência que está a ser feita por investigadores da Universidade de Michigan

Um aparelho pouco maior do que uma caixa de fósforos, usado no pulso e ligado a uma veia, poderá um dia substituir as biopsias como forma de detetar o cancro. Pelo menos é essa a expectativa que suscita o trabalho que uma equipa de médicos e engenheiros estão a desenvolver na Universidade de Michigan.

Um dos problemas principais no combate ao cancro é a dificuldade que muitas vezes existe em descobrir marcadores tumorais – substâncias encontradas no corpo que indicam a presença de um tumor. Segundo o site technology.org, um tumor pode libertar mais de mil células cancerosas num minuto, mas descobri-las a partir de amostras sanguíneas é difícil. Uma única amostra pode não conter mais do que dez, no meio de tudo o resto que lá se encontra.

No método agora a ser experimentado – para já, as experiências estão a ser realizadas em cães; espera-se que daqui a três anos ou pouco mais chegue a vez dos humanos – o aparelho recolhe sangue continuamente ao longo de duas horas, e a quantidade de células cancerosas encontradas em cada mililitro de sangue é 3,5 superior à de uma recolha de sangue habitual.


“NINGUÉM QUER FAZER UMA BIOPSIA”

Um dos investigadores envolvidos compara a diferença àquela que existe entre uma câmara de segurança que tira fotografias de vez em quando e uma câmara vídeo a filmar continuamente. Com a primeira, há uma boa probabilidade de um ladrão entrar sem ser detetado. A metáfora também serve para as biopsias, dada a probabilidade de que a amostra de tecido retirada ao paciente não contenha células tumoriais suficientes para permitir um diagnóstico correto.

O líder do estudo agora noticiado, Daniel F. Hayes, é médico e investigador do Centro Rogel do Cancro na Universidade de Michigan. Resumindo o que está em causa, diz: “Ninguém quer fazer uma biopsia. Se conseguirmos obter suficientes células cancerosas a partir do sangue, poderemos usá-las para aprender sobre a biologia do tumor e orientar o tratamento para o doente. É essa a excitação do que estamos a fazer”.

Segundo o ‘paper’ agora publicado na revista Nature, nas experiências já realizadas conseguiu-se analisar entre 1 e 2% do sangue total dos animais. Estes tinham sido injetados com células cancerosas que ao fim de umas horas seriam eliminadas pelo sistema humanitário dos animais.

Sedados e ligados a um protótipo do aparelho, também lhes foram sendo retiradas e analisadas amostras de sangue de 20 em 20 minutos. Isso permitiu constatar a eficácia do novo método em relação ao tradicional.

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