Victor Raquel

Cronista

Bem Prega Frei Tomás!

Os recentes acontecimentos em Portugal, e no estrangeiro, não param de surpreender até o mais dos incautos.

Na Venezuela o regime de Maduro e sus muchachos, e mais uma vez, insiste em perpetuar o sofrimento de milhões com base na subversão das regras constitucionais e do ordenamento jurídico do país. E de quem é a culpa? Dos gringos, claro está.

O Presidente da Assembleia Nacional, Juan Gaidó, diz que não reconhece o PR e milhares saíram para a rua em seu apoio. 14 já foram mortos.

Os mais avançados países do mundo em matéria de democracia, e direitos humanos, tais como a China, a Rússia e o Irão apoiam Maduro. Ah! Já me esquecia do turco que também apoia. Claro que apoia. Poderia lá deixar de apoiar. Outros faróis de liberdade tais como a Bolívia, a Nicarágua, Cuba & C. Lda. Também apoiam. Como é óbvio! Tudo bons rapazes!

Os EUA, o Brasil, o Chile, Peru, e a maior parte dos países latino-americanos estão com Gaidó e a Assembleia Nacional.

A UE anda por ai. Nem chove, nem molha. É impressionante como a Europa pura e simplesmente não condena veementemente aquele regime totalitário. Ao invés coloca paninhos quentes na ditadura e diz umas coisas giras à espera que a crise passe. E que o número de mortos aumente.

O Papa, chefe da diplomacia do Vaticano, em visita oficial ao Panamá condena o muro. Quanto às reais razões pelas quais as pessoas fogem em direcção ao muro, nem uma palavra.

É impressionante!

O líder espiritual da cristandade (ao contrário dos seus antecessores que sempre o fizeram) não condena com todas as suas forças os regimes, assim como as suas elites, que objectivamente criaram a situação que impele milhares para o desespero.

Ao invés, ataca o sistema económico para o qual tentam os desesperados fugir (o capitalismo tenebroso), e o Estado de Direito (os diabólicos EUA), que pretende cumprir a lei e as mais elementares regras de protecção de fronteiras.

A ONU (outro paquiderme como a UE) também anda assim-assim em declarações. Nada de condenações veementes contra a ditadura e a violência. Neste caso bem explicado pelo facto de boa parte dos seus membros serem tiranias ferozes! Aliás a ONU é tão avançada em democracia e direitos humanos que até a Cuba e a Arábia Saudita fazem parte do seu Comité de DH. Em matéria de DH estamos conversados. Relativamente a condenações só Israel e os EUA, aos quais se junta agora o Brasil, são passíveis de indignação. Esses sim. Censura-se com veemência! Os outros não!

A história um dia os julgará!

E nós por cá?

Nós por cá, mais concretamente por terras de Loures paga-se bem!

O familiar de um reconhecido dirigente político, metalúrgico de profissão, (célebre por se atirar com unhas e dentes ao grande capital e às suas negociatas) foi apanhado em contra-mão. O município sob esfera de responsabilidade de um reconhecido militante do partido pagou somas consideráveis (dizem as más-línguas que foram 11 mil por mês, mais coisa menos coisa) para mudar umas lâmpadas e atarraxar uns casquilhos.

Isto sim, é reconhecer o valor do trabalho! A mim pagavam-me metade e eu apertava o dobro das lâmpadas e dos casquilhos!

Bem prega Frei Tomás! Faz o ele diz, não faças o que ele faz!

Do outro lado do rio, no Seixal, as coisas andam igualmente quentes!

Uma festa num bairro acabou à chapada!

A polícia foi chamada, e ao que tudo indica, foi convidada a participar na festa. E participou!

Foi recebida à chapada e, como é óbvio respondeu à chapada.

De imediato os patrulheiros do costume batem o às de trunfo. O do racismo!

A coisa não seria grave se não partisse de pessoas com responsabilidades políticas e seus apaniguados. Estou a falar de deputados e assessores de partidos políticos (não sei muito bem para que servem, mas que são bem pagos, lá isso são) que inclusivamente qualificam as forças da autoridade com epítetos dignos de uma estrebaria. O lixo ideológico injectado durante anos naquelas cabecinhas faz o resto.

De imediato surgem manifestações de indignação (ou pelo menos tentam chamar-lhe isso) com ataques à propriedade privada, do Estado, e actos a granel de puro vandalismo.

Quando a polícia prende alguns dos, digamos, excluídos, ou melhor, quando chegam à esquadra vê-se a real dimensão da discriminação racial a que estão sujeitos.

A sua ficha policial mais parece um currículo académico. Pelos feitos capaz de fazer corar o mais ilustre dos catedráticos.

Qualquer dia vão a pós-doutoramento!

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